Caros Amigos,
É com imensa alegria que informamos que estamos dando continuidade, a partir do mês de Maio, ao Programa de Conservação do Muriqui – Fase II no Parque Nacional da Serra dos Órgãos.
Nesta fase, além de darmos continuidade aos Projetos de Educação Ambiental iniciados na fase I, estaremos, na parte biológica, em parceria com o Instituto de Pesquisas Ecológicas ( IPE ) complementando os estudos através das seguintes ações:

Acompanhamento e captura dos indivíduos.

Um grupo de Muriquis será escolhido para ser acompanhado durante um período para que os indivíduos se acostumem à presença dos pesquisadores. Após esta fase, inicia-se a campanha de captura de, pelo menos, um indivíduo do grupo para a colocação do rádio-transmissor no pescoço. Tal procedimento vem sendo testado com animal em cativeiro no Centro de Primatologia do Rio de Janeiro. Em junho de 2002 um animal foi capturado e aparelhado com rádio colar. O mesmo está sendo acompanhado para observação de possíveis distúrbios comportamentais ou físicos não tendo até o momento sido observada nenhum sinal de rejeição ao rádio. A captura no Parque será realizada com o acompanhamento de um veterinário seguindo todos os procedimentos necessários para que não ocorra qualquer risco ao animal. O animal será anestesiado com arma anestésica apropriada utilizada por técnico com longa experiência nesse tipo de captura. Com o animal sedado, serão coletados os dados de pesagem e tomadas de medidas corporais, além da coleta de material biológico para futuras análises da variabilidade genética.
Para o acompanhamento dos animais, será utilizada a técnica de rádio-telemetria, que consiste em localizar os animais com uma antena direcional que informa local e proximidade, do animal através do sinal emitido pelo rádio-transmissor e captado pelo rádio-receptor acoplado à antena.

Coleta de dados ecológicos e comportamentais.

Após a captura e habituação do grupo, iniciaremos a coleta sistemática dos dados ecológicos e comportamentais durante os meses subseqüentes pelo método “Scan Sample” ou amostragem de varredura, onde o grupo todo é observado e as atividades comportamentais de cada indivíduo serão anotadas separadamente. O período amostral (PA) da amostragem Scan será de 10 minutos e 15 minutos de período de descanso (PD) (Cullen Jr.e Valladares-Padua 1997).
Os dados a serem coletadas seguirão um protocolo, utilizando como base, os trabalhos realizados com a espécie (Strier, 1991) e também com outras espécies de primatas como os Leontopithecus (Valladares Padua, 1993). Dentre elas, podemos citar:

Uso do tempo (orçamento temporal).

Consiste em descrever e quantificar as atividades descritas no protocolo de comportamentos que ocorrem ao longo de um período de tempo. Serão coletados dados de uso do tempo por pelo menos um ano.

Uso do espaço e área de uso.

Utilizaremos os pontos de coordenadas geográficas registrados por um GPS (Global Position System) para marcar a localização do grupo ao longo do dia e também fitas de marcação que são numeradas e colocadas nas árvores ao longo da rota diária dos Muriquis. Através desses dados, estimaremos a área de uso, movimentação e uso do espaço pelo grupo estudado e os pontos de coordenadas geográficas serão plotados num mapa da área geo-referenciada.

Estudo da ecologia alimentar.

Com esse estudo será possível descrever os tipos de recursos alimentares e a sazonalidade na dieta da espécie. Essa informação é fundamental para a caracterização do habitat onde os Muriquis encontram os recursos de sua sobrevivência e também quais os itens mais importantes de sua dieta.

Estas ações nos permitirão responder às perguntas sobre a vida dos Muriquis no Parque, permitindo uma compreensão e atuação que os mantenha seguros nesta que se apresenta como uma das raríssimas áreas de preservação de habitat totalmente original destes primatas.